Imaginário,
Antes de tudo e sem delongas, gostaria de deixar explícito que tive de reduzir o meu tempo frente ao computador devido a dores perturbadoras no ombro e na coluna. Hoje escrevo esta carta a mão, não deixando de perceber como a minha letra é feia. Quase ilegível, mas deixemos esse assunto para trás.
Logo após a descoberta do blog do grande escritor José Saramago passei a analisar os textos que leio e notei uma grande diferença. Saramago é objetivo. Normalmente quando escrevemos, e me incluo nas minhas leituras, costumamos explicar várias vezes o mesmo assunto com diferentes palavras que não dão nada além de um sentido estético e em questão de compreensão nada se adiciona. Além de texto de Saramago se conciso é também muito bem explicado. São coisas que deve ser notadas e aprendidas com ele.
Mas o assunto da carta não é este. Caso ainda não esteja familiarizado com a web 2.0, logo ali ao lado deste texto há uma série de pequenas frases com apenas 140 caracteres. o nome disso é twitter. Qualquer um pode ter um twitter e escrever o que quiser nele. Aí jaz o problema. Por estes dias, muitas pessoas passaram a escrever “#forasarney”como forma de protesto contra o até então presidente do senado José Sarney que há alguns dias atrás foi acusado de nepotismo e de utilizar os “atos secretos” para seu interesse individual. Eu não sou contra manifestações políticas pelo twitter e muito menos a favor de Sarney, mas algo nesta história me aflige.
A ignorância do povo me incomoda principalmente se tratando do povo brasileiro. Digo isso porque os brasileiros são comumente utilizados como massa de interesse político. Veja o caso do Collor. A mídia fez tanta propaganda positiva dele que o povo votou e elegeu o primeiro presidente que anos depois sofreu impeachment no Brasil (e que furtou o dinheiro da poupança do meu avô). Acho muito interessante que os “twitteros” se interesse por política, afinal não fazem mais do que sua obrigação civil, mas se eles estão dispostos a dar opinião que sejam ao menos bem informados.
Acreditar cegamente no que as notícias dizem não é um modo inteligente de se opinar sobre política. Porque a mim tanto importa se o Sarney vai ou não ser deposto, prefiro saber quem ficaria no lugar dele caso ele perdesse a cadeira no senado. Como eu sempre digo; não adianta só apontar o problema tem que achar a solução.
Sem mais para o momento,
Srta. Valentim.

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